Estádio da final da Copa de 2026 teve o aço como aliado para sediar a competição

Primeiro Mundial em mais de uma década sem arenas erguidas do zero, evento reutilizou estruturas existentes e evidenciou a aplicação do aço nas 16 sedes

Por Conexão Construção 14/07/2026 - 16:34 hs
Foto: Real Madrid/Divulgação
Estádio da final da Copa de 2026 teve o aço como aliado para sediar a competição
MetLife Stadium é o estádio da final da Copa do Mundo de Futebol

O MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final da Copa de 2026 que acontece no domingo (19/7), foi construído com 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido no mesmo complexo. Com mais de 17 mil componentes metálicos, a arena reflete o modelo deste Mundial, que utilizou apenas instalações já existentes, capazes de receber adaptações para diferentes tipos de ocasiões. 

A estrutura de aço está na origem da capacidade do estádio de receber eventos de grande porte. Apoiada nos 17 mil componentes metálicos, a arquibancada de três anéis, com mais de 33 mil lugares no setor inferior, comporta 82.500 pessoas, o maior público da liga de futebol americano (NFL). Com essa estrutura, a arena sediou o Super Bowl XLVIII, em 2014, o primeiro disputado ao ar livre em cidade de clima frio, as edições 29 e 35 da WrestleMania, com mais de 80 mil espectadores cada, a final da Copa América Centenário, em 2016, e a decisão do Mundial de Clubes da Fifa de 2025, vencida pelo Chelsea sobre o Paris Saint-Germain. 

O aço também viabilizou as adaptações exigidas pela Fifa, concluídas em maio de 2025. Para ampliar o gramado às dimensões oficiais da entidade sem reduzir a capacidade, os quatro cantos da arquibancada original de concreto pré-moldado foram demolidos e substituídos por um sistema modular de arquibancadas em aço composto. A solução ajustou aos requisitos do futebol uma geometria projetada para o futebol americano sem comprometer a capacidade original.

O uso do aço também tem relação direta com aspectos ambientais e econômicos. O material é 100% reciclável e pode ser reaproveitado sem perda de qualidade. A produção de cada tonelada a partir de sucata em forno elétrico reduz o consumo de energia em até 80% na comparação com a produção a partir de minério de ferro. No Brasil, a construção civil é a maior consumidora do metal. 

“O aço mudou a forma de construir estádio”, afirma o gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Márcio Antônio da Silva. “O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras. Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções”, conclui. 

O precedente brasileiro

Na construção da Arena Amazônia para a Copa de 2014, 95% dos materiais retirados do antigo Estádio Vivaldo Lima foram reaproveitados. A arena de Manaus recebeu 7 mil toneladas de estrutura metálica em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Em Curitiba, a reforma da Arena da Baixada utilizou aproximadamente 4.500 toneladas. A prática manteve-se após o Mundial: na Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.

150 mil toneladas em campo

As estruturas das 16 sedes da Copa de 2026 reúnem, somadas, mais de 150 mil toneladas de aço. O levantamento baseia-se em dados de construtoras, engenheiros estruturais e operadores das arenas. O volume equivale ao de mais de 20 torres Eiffel e varia entre 6 mil e 30 mil toneladas por estádio.

Os maiores números concentram-se nos Estados Unidos. O AT&T Stadium, em Dallas, arena com maior capacidade da Copa, possui cobertura sustentada por 14.100 toneladas de aço estrutural, apoiada em dois arcos treliçados. Eles vencem um vão de cerca de 373 metros, o mais longo entre as edificações do planeta. O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, reúne cerca de 27 mil toneladas de aço, o que inclui um teto retrátil de oito pétalas. “É provavelmente o teto mais complexo já construído, fixo ou móvel”, declarou um engenheiro do projeto à revista Engineering News-Record.

No Levi's Stadium, na região de São Francisco, foram aplicadas cerca de 18 mil toneladas de aço em 14 mil peças, em uma obra 95% reciclável ao fim da vida útil da arena. A lista americana inclui ainda o SoFi Stadium, em Los Angeles, com treliças de 20 mil toneladas em uma estrutura projetada para resistir a abalos sísmicos; o NRG Stadium, em Houston, que soma 17.274 toneladas e é o primeiro da NFL com teto retrátil; o Hard Rock Stadium, em Miami, cuja marquise de mais de 18.500 toneladas suporta furacões de categoria 4; e o Lumen Field, em Seattle, com coberturas de 5.700 toneladas desenhadas para reter o som da torcida.

No México, o Estádio Azteca, construído nos anos 1960, empregou mais de 100 mil toneladas de concreto e 9.200 toneladas de aço, proporção invertida nos projetos recentes. O Estádio BBVA, em Monterrey, consumiu 6.300 toneladas do metal. O Estádio Akron, em Guadalajara, usa 3.300 toneladas em sua estrutura para sustentar uma cobertura que coleta água da chuva para irrigação.

No Canadá, o teto retrátil do BC Place, em Vancouver, exigiu 18 mil toneladas de aço e 35 quilômetros de cabos.

Da cobertura à arquibancada, o avanço do inox

A evolução não se limita ao aço estrutural. Nos estádios mais recentes, o aço inoxidável ocupa espaço em praticamente todos os pontos de contato com o torcedor. Conforme análise do Grupo Feital, o inox combina resistência à corrosão, inclusive em regiões costeiras, durabilidade em estruturas de difícil acesso, como coberturas e passarelas, e resistência mecânica com menor peso. Entre os exemplos citados pela empresa estão o Maracanã, que recebeu inox em escadas, corrimãos e áreas de circulação na modernização para a Copa de 2014, a fachada da Allianz Arena, na Alemanha, e o Santiago Bernabéu, que emprega o material em coberturas retráteis e estruturas expostas. 

Segundo o Diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman, as operações realizadas nos estádios podem ser utilizadas em prédios e estruturas civis ao longo da cidade, trazendo mais para perto essas aplicações sofisticadas. “O conhecimento, as técnicas e os materiais ligados a essas estruturas são resultados de anos de estudos e observações, que também passam por nós da ABM, com o objetivo de colocarmos em circulação debates, pesquisas e tecnologias que permitam o melhor uso dessa forma de construir para o nosso país, contribuindo com a eficiência tanto em grandes arenas como em aplicações mais cotidianas da engenharia estrutural”, explica.