O Brasil ainda constrói como no século passado — até quando?

Por Conexão Construção 18/03/2026 - 11:39 hs
Foto: Espaço Smart
O Brasil ainda constrói como no século passado — até quando?
Rubens Campos, CEO Espaço Smart

Por Rubens Campos*

Segundo levantamento do IBGE - Instituto Brasileito de Geografia e Pesquisa, realizado em de 2025, 88,2% das casas construídas no Brasil continuam sendo erguidas com alvenaria tradicional: com tijolo, bloco e concreto moldado no local. O mesmo método construtivo utilizado há décadas. É fato: a maioria das construções ainda não migrou para processos mais industrializados ou inovadores, como o Steel Frame ou a pré-fabricação).

Isso quer dizer que paramos no tempo quando o assunto é construção? Não! Dados da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM) mostram que o uso da tecnologia Light Steel Frame no Brasil cresceu cerca de 60% nos últimos anos, destacando aumento significativo da adoção dessa técnica construtiva no país. Já o  Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou em 2024 uma pesquisa da FGV sobre o estado atual da construção industrializada no Brasil e o resultado apontou que 64,5% das empresas da construção civil no Brasil utilizam algum tipo de sistema industrializado em seus processos. Porém, isso significa que mais de 1 em cada 3 empresas (35,5%) ainda não adota métodos industrializados. Fica clara a persistência por métodos tradicionais em parte significativa do setor.

Mas por que os avanços ainda são tão lentos? Apesar de o Steel Frame já ser normatizado e aceito por instituições financeiras, a adoção do sistema ainda avança lentamente. Isso se deve, principalmente, a percepções equivocadas sobre custo, à resistência do mercado a novos modelos construtivos, à falta de mão de obra qualificada e à dificuldade de algumas empresas em adotar novas tecnologias.

O setor civil brasileiro permanece preso a métodos  essencialmente artesanais, que pouco evoluíram nas últimas décadas, um mercado que na prática ainda empilha tijolos como há 200 anos, com baixa produtividade, altos índices de desperdício e detritos.  

Carência habitacional é um dos impactos dessa baixa evolução no setor

Em um país onde o déficit de habitação foi de 5,97 milhões de domicílios em 2023, segundo levantamento do Ministério das Cidades, a não adoção de novas tecnologias resulta indiretamente em milhões de brasileiros sem acesso a uma moradia adequada. Até quando seguiremos ignorando os avanços tecnológicos e assistindo sentados a essa defasagem?

Modelos como os que utilizam o Steel Frame, por exemplo, têm se consolidado como uma alternativa inovadora, eficiente e sustentável. A técnica possui componentes pré-fabricados e processos industriais para substituir diversas etapas da construção em campo. Essa mudança transforma o canteiro de obras em uma linha de montagem organizada, reduzindo prazos, minimizando perdas e elevando a qualidade final das edificações. A precisão fabril traz controle, eficiência e confiabilidade ao processo.

Atualmente, já são mais de 2 milhões de metros quadrados projetados e vendidos com essa tecnologia em território nacional só pela Espaço Smart. Esse número simboliza que a mudança já começou, mas precisa alcançar um outro patamar para que os impactos para o mercado e para a população brasileira sejam percebidos. O relatório Grand View Research – Brazil Light Gauge Steel Framing Market Size & Outlook, apontou que o mercado brasileiro de Light Gauge Steel Framing teve receita de USD 830,1 milhões em 2023 e projeta atingir cerca de USD 1.087,7 milhões em 2030.

O ponto mais positivo é que os clientes já começam a valorizar esses avanços e a entender o verdadeiro avanço que esse tipo de tecnologia proporciona. Em 2024, uma pesquisa nacional, realizada com compradores de casas em steel frame pelo Sinduscon-RS revelou que  35 % dos respondentes optaram pelo steel frame principalmente por maior agilidade de obra e 30 % disseram que a tecnologia e inovação motivaram a escolha. 

Agora, é preciso escalar esses números. Já está na hora de deixar as tradições guardadas para memórias afetivas, receitas de bolo e outras frentes e permitir que a tecnologia ganhe o mercado da construção de uma vez por todas. Só assim conseguiremos evoluir não só no âmbito do setor, mas também no âmbito social. 

(*) Rubens Campos, CEO da Espaço Smart